LÉA FAGUNDES - Com o uso das novas tecnologias digitais, a atividade humana muda. E muda numa velocidade nunca antes imaginada pelo homem. Na verdade é uma mudança de cultura que está constituindo a sociedade conectada, a sociedade do conhecimento. A quantidade de megabytes de informação produzidos só nos últimos dois anos supera a quantidade de informação produzida em toda nossa história.
Já as "formas de aprender" são desconhecidas pela maioria dos educadores por falta de estudos sobre ciência cognitiva e conhecimentos sobre as relações mente, cérebro e sentimentos. Mas, em nossos estudos ao longo dos últimos 20 anos no LEC, com o uso das tecnologias temos conseguido conhecer melhor as "formas de aprender", isto é, as formas como a inteligência humana naturalmente constrói o conhecimento. Só as estudando podemos ir acompanhando os efeitos do uso dessas tecnologias e, sobretudo da Internet. No entanto não podemos afirmar que sejam "novas formas", porque pode ser o enriquecimento das possibilidades e um desenvolvimento efetivo que as formas naturais de aprender apresentam, mas que não são consideradas pelo tratamento do ensino tradicional.
Em resumo, uma nova inteligência está aparecendo na criança desta cultura e o homem dos próximos tempos disporá de novas formas de "pensar". O funcionamento cognitivo é sistêmico, dinâmico e complexo e só se desenvolve na e pela interação. As condições de interação são determinantes tanto para o funcionamento atual quanto para a potencialização da genética de um aprendiz. Nas concepções da Escola e dos sistemas de ensino as "relações entre professores e alunos" são determinantes para o processo interativo de desenvolvimento de um novo aprendiz.
Na cultura da sociedade conectada a aprendizagem se dá no contexto de vida e o cidadão precisa ser um aprendiz permanente. A formação é continuada. Não existe mais "conclusão" e formatura. O papel do professor que detém a autoridade do saber e decide o que, como e quando o aluno deve aprender está superado. O professor precisa ser também um aprendiz, com todas as incertezas, um formulador de dúvidas tal como seus alunos, um parceiro. Suas novas funções, no entanto, são exigentes: ele precisa tornar-se o orientador confiável, um negociador nas buscas, na problematização e testagens das informações disponíves nas fontes da rede mundial e, sobretudo, nas buscas de novas respostas. As novas relações necessitam se constituir em respeito mútuo, considerações de reciprocidade que garantam a cooperação e a solidariedade na escolha dos conteúdos a estudar, e nas tomadas de decisões sobre como estudá-los para também produzir novas informações.
http://www.midiativa.tv/index.php/educadores/content/view/full/1053/
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